Novo Ecopark deve ligar Interlagos e Floresta, mas moradores cobram segurança e manutenção
- Jessica Viviane Carvalho

- há 3 dias
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Obra na região norte de Cascavel prevê lazer, mobilidade e preservação ambiental; projeto começou em 2023, passou por paralisação e voltou a avançar após nova licitação

Por Jessica Carvalho | Agência Abre Aspas
O bairro Floresta, na região norte de Cascavel, deve receber um novo espaço de lazer, esporte, convivência e preservação ambiental. O Ecopark Floresta também deve melhorar a ligação com o bairro Interlagos, em uma região que concentra moradores à espera de áreas públicas para caminhada, descanso e encontro. A obra foi iniciada em junho de 2023, passou por paralisação e voltou a avançar após nova licitação. A previsão de entrega é final de junho de 2026.
Sara Fonseca, de 56 anos, está há 13 anos na cidade de Cascavel, moradora da região onde o espaço está sendo construído, vê o parque como uma possibilidade de mudança na rotina do bairro. Ela diz que pretende levar os netos para caminhar, observar o pôr do sol e aproveitar o fim da tarde em um lugar mais seguro e arborizado. Segundo ela, os moradores esperam que o espaço funcione como ponto de encontro para conversas, chimarrão, tereré e atividades com as crianças. “Eu sempre gostei de natureza. Quando soube que ia sair um ecopark, fiquei muito feliz, porque era um lugar que estava abandonado e agora pode virar um espaço para a comunidade”, afirma.
O QUE A OBRA PREVÊ
De acordo com informações apuradas na obra, parte da drenagem, das pistas de caminhada e das ciclovias já foi executada. Também avançaram os campos de grama, as edificações no entorno dos campos, as instalações elétricas, a iluminação em LED e o plantio de árvores. Cerca de 50 trabalhadores atuam no local, segundo Ulysses Alfonso Zaror, engenheiro civil, fiscal de obras públicas.
A drenagem é uma das etapas mais importantes em obras instaladas em áreas de fundo de vale, porque ajuda a controlar o escoamento da água da chuva e reduz o risco de alagamentos. Também contribui para proteger o solo, os cursos d’água e a vegetação do entorno. No caso do Ecopark Floresta, de acordo com Ulysses, foram construídos novos bueiros de concreto nas ruas Arapongas e Beija-Flor para melhorar o escoamento da água da chuva até o córrego que corta a área do parque. Também foram implantados diversos drenos para direcionar a água ao leito do rio e evitar acúmulo em pontos específicos do terreno. Segundo ele, o local possui várias nascentes naturais, que foram preservadas durante a execução da obra. Em torno dessas áreas, foi feita uma proteção e implantado um sistema de canalização com caminhos de pedra para conduzir a água até o córrego, mantendo o fluxo natural das nascentes.
LAZER E PREOCUPAÇÃO
Apesar da expectativa, Sara também aponta preocupações. Para ela, o bairro ainda precisa de mais espaços públicos, segurança e cuidado permanente. A moradora teme que o parque seja alvo de vandalismo ou fique sem manutenção depois de entregue. Ela também relata preocupação com a presença de pessoas em situação de rua no entorno e defende que a área tenha patrulhamento, iluminação e conservação para que crianças e adolescentes possam frequentar o espaço com tranquilidade. Sara afirma estar contente com a implantação do Ecopark Floresta, principalmente pela possibilidade de ter uma nova área de lazer próxima de casa. Ela conta que pretende utilizar o espaço para caminhadas e passeios com os netos, além de aproveitar o contato com a natureza para ensinar às crianças a importância da preservação ambiental e do ar puro. Ansiosa pela conclusão do projeto, acredita que o parque deve se tornar um ponto de convivência para as famílias da região.
ATRASOS E RETOMADA
A paralisação da obra gerou desconfiança entre moradores. Segundo Sara, muitas pessoas chegaram a pensar que o parque não seria concluído. Com a retomada dos trabalhos, a expectativa voltou a crescer. No entorno, vias como a Avenida das Torres também passaram por revitalização, o que melhorou a circulação de veículos e deve facilitar o acesso ao futuro ecopark.A obra chegou a ser interrompida após a rescisão do contrato com a empresa Guilherme Construções, responsável pela execução inicial do projeto depois de vencer o processo licitatório. Segundo Ulysses, durante o andamento da obra foram identificadas falhas no orçamento previsto, o que levou ao encerramento do contrato e à saída da empresa do canteiro. Após a revisão do projeto e dos custos, uma nova licitação foi realizada e a empresa Contersolo assumiu a responsabilidade pela continuidade e conclusão das obras do Ecopark Floresta.
DESAFIOS DA CONSTRUÇÃO
Ulysses ainda explica que um dos principais desafios foi a localização do terreno. Segundo ele, a área fica em fundo de vale, em uma região de preservação permanente e com presença de vários pontos de água, o que dificultou a execução de alguns serviços. “O contexto geral da obra é preservar a natureza no entorno do rio que passa por ali”, afirma. Ele diz que acompanha a obra diariamente e que a construção depende de várias etapas até a conclusão. Concluiu dizendo que uma das principais dificuldades enfrentadas durante a execução da obra tem sido o período de chuvas, já que parte dos serviços não pode ser realizado em dias de mau tempo. Com isso, os trabalhos acabam sendo interrompidos temporariamente, o que pode provocar atrasos no cronograma previsto para a conclusão do Ecopark Floresta.
OUTROS ECOPARKS EM CASCAVEL
Cascavel já conta com outros ecoparks em diferentes regiões, como o Ecopark Oeste, no Santa Cruz, o Ecopark Morumbi e o Ecopark Santa Felicidade. O novo Ecopark Floresta deve integrar essa política de espaços públicos voltados ao lazer, à convivência e à preservação ambiental. A comparação com parques de outras cidades pode ser interessante, mas precisa entrar apenas se houver relação direta com a pauta local.
Além da proposta de preservação ambiental, os ecoparks de Cascavel também passaram a funcionar como espaços de uso diário da população. Em comum, todos reúnem áreas verdes, pistas de caminhada, ciclovias e lagos, estruturas que transformaram os parques em locais procurados para prática de atividades físicas, descanso e convivência ao ar livre.
A presença desses espaços em diferentes regiões da cidade reforça a ideia de descentralizar opções de lazer e ampliar o acesso da população a ambientes públicos voltados ao contato com a natureza.
IMPACTO NO BAIRRO
A nova área verde pode trazer mudanças para a região norte de Cascavel, principalmente por aproximar conjuntos habitacionais, melhorar a ligação entre bairros e ampliar a circulação de pessoas no entorno. A proposta do projeto foi unir preservação ambiental e uso público do espaço, mantendo a vegetação e protegendo o rio que corta a área, ao mesmo tempo em que cria estruturas para que a população possa aproveitar o ecopark de forma sustentável. O local contará com banheiros, campos gramados e espaços voltados ao lazer e à convivência. Outro ponto destacado é a integração entre os bairros atendidos pelo parque, permitindo que mais moradores tenham acesso aos benefícios oferecidos por uma área verde urbana.
UM PARQUE ENTRE LAZER E PRESERVAÇÃO
O Ecopark Floresta não deve ser tratado apenas como uma obra de lazer. A proposta também envolve a preservação de nascentes, o plantio de árvores, a recuperação de áreas degradadas e a criação de espaços de convivência para a população. Segundo a prefeitura, o local contará com manutenção contínua, incluindo serviços de roçada, poda de árvores, corte de grama e limpeza dos banheiros. A administração também prevê a presença de equipes de vigilância para reforçar a segurança no parque e garantir que os moradores possam utilizar o espaço com mais tranquilidade e sensação de proteção.
Com a proposta de unir preservação ambiental, lazer e integração entre bairros, o Ecopark Floresta deve se tornar um dos principais espaços públicos da região norte de Cascavel. Além de recuperar uma área marcada por nascentes e vegetação nativa, o projeto busca oferecer à população um ambiente voltado à convivência, prática de atividades físicas e contato com a natureza.
A expectativa dos moradores e o avanço das obras reforçam a importância do empreendimento para uma região que cresceu nos últimos anos e passa a ganhar um novo espaço de uso coletivo e valorização ambiental.



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