Fisioterapia ajuda pacientes a recuperar movimento, autonomia e confiança após lesões
- Eduardo Tomé

- 31 de mai.
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Atualizado: 2 de jun.
Profissionais e paciente em recuperação mostram como prevenção, tecnologia e cuidado emocional entram na rotina do tratamento

Por Eduardo Tomé Da Silveira| Agência Abre Aspas
A dor persistente no joelho, na lombar ou no ombro costuma chegar ao consultório quando já começa a limitar a rotina. Para quem trabalha, pratica esporte ou passou por uma cirurgia, a fisioterapia pode ser um caminho para recuperar movimento, reduzir dor e retomar atividades com segurança. Em Cascavel, fisioterapeutas ouvidos pela reportagem explicam que o tratamento envolve avaliação, prevenção, tecnologia e também o enfrentamento do medo de se movimentar novamente.
O fisioterapeuta Matheus Salvador, que atua nas áreas ortopédica e desportiva, na clínica Kaizen em Cascavel, explica que a procura pelo atendimento costuma estar ligada a dores que prejudicam atividades simples do dia a dia. “A fisioterapia não ajuda somente na prevenção de lesões, mas também na reabilitação e no controle das dores. Os pacientes reclamam normalmente de dores que os prejudicam em suas atividades, e nos procuram para resolver”, afirma.
A mesma demanda aparece em outras áreas da fisioterapia. Wendril Ishiyama, especialista em mecânica do exercício e terapia manual, relata que atende principalmente pacientes com dores articulares, lesões esportivas e lesões por esforços repetitivos, conhecidas como LER. “Me procuram, principalmente, por dores nos ombros, joelhos e, principalmente, na lombar”, conta.
Identificar o momento adequado para buscar atendimento é uma forma de evitar que pequenos desconfortos se tornem problemas crônicos. Dores que persistem por vários dias, perda de mobilidade, dificuldade para realizar tarefas simples e insegurança para movimentar uma parte do corpo são sinais que exigem avaliação profissional. A intervenção precoce permite corrigir padrões de movimento, fortalecer a musculatura e preservar a autonomia do paciente.
BENEFÍCIOS E PREVENÇÃO
A prevenção, antes muito associada aos atletas, passou a fazer parte da rotina de pessoas que buscam envelhecer melhor, evitar lesões e manter independência nas atividades diárias. Segundo os profissionais ouvidos, os recursos utilizados variam conforme a avaliação de cada caso e podem envolver terapia manual, exercícios de fortalecimento, orientação de movimento e equipamentos voltados ao controle da dor. “Não trabalhamos somente com reabilitação, mas também com a saúde física, trazendo benefícios principalmente nas dores do dia a dia e na longevidade física do indivíduo”, diz Wendril.
Wendril explica que alguns pacientes percebem melhora logo nas primeiras sessões, especialmente quando há alívio da dor ou recuperação de um movimento limitado. Ainda assim, ele ressalta que o tratamento depende da gravidade do caso, da frequência das sessões e do compromisso do paciente com as orientações recebidas. A reabilitação, portanto, não deve ser tratada como resultado imediato, mas como processo.
PÓS-CIRÚRGICO
Em abril, enquanto jogava futebol, Gabriel Müller sofreu uma lesão grave no joelho, com rompimento total do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e do Ligamento Colateral Medial (LCM), além de duas lesões no menisco. Antes da cirurgia, iniciou fisioterapia pré-operatória para preparar o corpo para o procedimento. Em junho, dois dias após a alta, começou a fisioterapia pós-operatória, com foco no controle da dor, na redução do inchaço e na recuperação da mobilidade. Pela gravidade da lesão, ficou um mês sem apoiar o pé no chão. Com a continuidade do tratamento, recuperou força e equilíbrio.
“Hoje, com cinco meses de cirurgia, já não sinto dores e consigo fazer a maioria das atividades físicas. Quero voltar a jogar o quanto antes, mas esse tipo de lesão requer um período mínimo de fisioterapia e fortalecimento, cerca de nove meses. A fisioterapia que faço regularmente é essencial para adiantar esse processo. Se não fosse isso, talvez eu ainda estivesse sentindo dores e nem conseguisse fazer atividades físicas”, relata Gabriel.
Além da recuperação física, o processo de reabilitação também envolve fatores emocionais. O medo de não voltar ao mesmo desempenho, a ansiedade diante da dor e a insegurança para movimentar a região lesionada podem interferir na evolução do paciente. Como o medo de apoiar o pé no chão no início do tratamento, por conta do pavor de romper ou dor, medo de mudar correr, mudar de direção e até mesmo pular também são alguns receios dos pacientes . “O psicológico é um dos principais motivos da dificuldade do paciente na recuperação. Dependendo da lesão e das dores que oscilam, o paciente pode acabar desanimando no meio do tratamento; por isso, é importante deixar claro no início que haverá essas ondas de dor, e que isso faz parte do processo”, comenta Matheus Salvador.
Wendril afirma que muitos pacientes chegam às primeiras sessões com cinesiofobia, termo usado para indicar o medo de realizar movimentos por receio de sentir dor ou se machucar novamente. “Após qualquer lesão, mexer no local pode assustar o paciente. Também há uma certa dificuldade de entender que o tratamento é um processo que pode levar tempo, causando ansiedade em alguns”, explica.
TECNOLOGIA NA FISIOTERAPIA
Entre os recursos citados pelos profissionais está a laserterapia, técnica que utiliza luz laser como apoio no tratamento de dores, inflamações e processos de cicatrização, conforme avaliação profissional. O recurso pode ser indicado em diferentes quadros, como tendinites, lesões esportivas e dores musculares, mas não substitui a avaliação individual nem o plano terapêutico.
Wendril afirma que a fisioterapia tem incorporado novos equipamentos e recursos que auxiliam na analgesia, na recuperação de tecidos e na elaboração de condutas mais adequadas. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para o diagnóstico funcional e para o acompanhamento da evolução, desde que esteja integrada ao raciocínio clínico do fisioterapeuta. Como a Corrente Russa, aparelho que utiliza correntes elétricas para estimular a contração de músculos para fortalecimento e ajudando pessoas que não conseguem contrair algum músculo.
A integração entre técnica, escuta e orientação ajuda o paciente a recuperar não apenas a função de um membro, mas também a confiança para retomar a rotina. Nesse processo, o fisioterapeuta acompanha limites, medos e avanços, ajustando o tratamento conforme a resposta de cada pessoa.
Assim, a fisioterapia deixa de ser vista apenas como recurso para atletas ou casos graves e passa a ocupar espaço na prevenção, na reabilitação e na manutenção da qualidade de vida. Ao unir avaliação, tecnologia, exercícios e orientação, a área ajuda pacientes a recuperar movimentos, reduzir dores e reconstruir a autonomia nas atividades do dia a dia.




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