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Transporte escolar por vans exige rotina antes das aulas

Na rotina de Fernando e Denise Paim, o trabalho envolve direção, gestão, manutenção e cuidado com estudantes em Cascavel


Fernando e Denise Paim dividem a rotina entre direção, gestão e cuidado com estudantes em Cascavel | Crédito da foto: Alexandre Amorim de Souza
Fernando e Denise Paim dividem a rotina entre direção, gestão e cuidado com estudantes em Cascavel | Crédito da foto: Alexandre Amorim de Souza

Por Alexandre Amorim de Souza | Agência Abre Aspas


Quando parte da cidade ainda dorme, Fernando Paim da Silveira já confere a van. Pneus, luzes, documentos, horários e rotas entram na lista antes de o primeiro estudante entrar no veículo. A rotina começa por volta das 5h10, em Cascavel, e exige atenção antes mesmo de o trânsito ganhar movimento nas ruas.


Para muitas famílias, as vans escolares e universitárias organizam a ida de crianças, adolescentes e universitários a escolas e faculdades. Para quem trabalha no setor, no entanto, o serviço representa uma responsabilidade que vai além do volante: cuidar de horários, trajetos, segurança e contato diário com pais e alunos.


Fernando e a esposa, Denise Maiante Paim da Silveira, atuam há anos no transporte escolar e universitário. O casal divide a vida familiar e também a empresa, em uma rotina que mistura direção, atendimento, contratos, cobranças, manutenção e planejamento de rotas.


ANTES DO NASCER DO SOL


Antes de colocar a van em movimento, Fernando faz uma vistoria no veículo. A conferência inclui pneus, iluminação e condições gerais da van. Só depois dessa etapa começa o trajeto para buscar os estudantes em casa e levá-los às instituições de ensino.

“A gente começa pela conferência das vans, olhando pneus calibrados, luzes dianteiras e traseiras e outros itens importantes. Depois saímos para buscar os alunos e levá-los para as escolas e faculdades”, relata.


Embora muita gente associe os desafios do transporte escolar às estradas rurais, Fernando afirma que os principais obstáculos aparecem dentro da área urbana. Ruas em más condições, falta de sinalização e ausência de locais adequados para embarque e desembarque tornam a rotina mais difícil.


“Enfrentamos ruas em péssimas condições, falta de sinalização e falta de local apropriado para estacionar. Isso transforma cada dia em um desafio”, explica.


RESPONSABILIDADE DE TRANSPORTAR VIDAS


Além de lidar com trânsito e horários, Fernando carrega uma responsabilidade que pesa em cada viagem. Para ele, transportar estudantes significa conduzir crianças e jovens que têm rotina, família, sonhos e compromissos pela frente.


“A nossa responsabilidade é enorme, porque carregamos vidas. Levamos crianças e jovens que têm uma vida inteira pela frente. Isso sempre vai no meu pensamento e me faz buscar o melhor todos os dias”, afirma.

No início da carreira, a adaptação à rotina foi uma das maiores dificuldades. Com o tempo, segundo Fernando, a experiência ajudou a lidar melhor com horários, trajetos, passageiros e imprevistos.


“No começo, tive dificuldades até me acostumar com a rotina, mas todas elas foram superadas com experiência e dedicação”, recorda.

A segurança também depende de documentação regular, manutenção e atenção às exigências previstas para o transporte escolar. Esse ponto ainda precisa ser aprofundado na apuração, com informações sobre fiscalização, vistoria e regras específicas do serviço em Cascavel.


MUITO ALÉM DA DIREÇÃO


Enquanto Fernando se concentra nas rotas e na condução, Denise participa do transporte e cuida de atividades administrativas da empresa. Ela organiza contratos, cobranças, serviços bancários e outras demandas necessárias para manter o atendimento funcionando.


“Minha rotina é parecida com a do Fernando, mas também cuido de serviços bancários, contratos, cobranças e outras atividades. Um complementa o outro”, explica.

Segundo Denise, uma das etapas mais trabalhosas ocorre no início do ano letivo. Com a chegada de novos alunos, é preciso reorganizar trajetos, memorizar endereços e encontrar a melhor sequência para atender todos os passageiros sem atrasos.

“O principal desafio é guardar o endereço de cada aluno no começo do ano. Por isso, estudamos as rotas durante vários dias até encontrar a melhor forma de realizá-las”, conta.


VÍNCULOS CONSTRUÍDOS NO CAMINHO


Apesar das responsabilidades, Denise aponta o contato com os estudantes como uma das partes mais gratificantes da profissão. O convívio diário cria vínculos que, em alguns casos, continuam mesmo depois que os alunos deixam de usar o transporte.

“O comportamento dos alunos é muito bom. Fazemos várias amizades durante o ano e conhecemos muitas pessoas diferentes e legais. Muitas dessas amizades permanecem até hoje”, relata.


CUSTOS, MANUTENÇÃO E ROTINA


Outro ponto da atividade está relacionado aos custos de operação. Combustível, documentação, seguros e manutenção fazem parte das despesas constantes do setor. Para Denise, a manutenção preventiva é uma das formas de reduzir imprevistos e evitar que a van fique parada.


“Procuramos fazer sempre a manutenção preventiva para gerar a menor dor de cabeça possível no dia a dia. Mas existem situações que não têm como prever. Nesses momentos, contamos com a experiência adquirida ao longo dos anos”, explica.


CONSCIENTIZAÇÃO AINDA É DESAFIO


Além dos custos e da organização interna, Fernando afirma que o comportamento no trânsito também interfere no trabalho. Segundo ele, motoristas e até alguns pais ainda desrespeitam espaços destinados às vans em frente às escolas, o que dificulta o embarque e o desembarque dos estudantes.


“Ainda estamos longe de ter o trânsito dos sonhos para o transporte escolar. Muitos pais não respeitam nem mesmo as vagas destinadas às vans em frente às escolas”, observa o motorista de transporte escolar, enfatizando que “precisamos melhorar na conscientização das pessoas de uma maneira geral”, completa.


Quando as primeiras aulas começam, parte do trabalho desses profissionais já foi feita. Antes de muitos estudantes entrarem em sala, motoristas como Fernando e Denise já passaram por conferências, trajetos, paradas e conversas rápidas com famílias.


A rotina do casal mostra que o transporte escolar e universitário por vans envolve mais do que levar passageiros de um ponto a outro da cidade. O serviço exige planejamento, cuidado com o veículo, atenção ao trânsito e relação diária com quem confia a eles o deslocamento dos filhos.

Em Cascavel, enquanto estudantes seguem para escolas e universidades, há profissionais que começam o dia antes do sol para que esse caminho aconteça com segurança.


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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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