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Netflix e One Piece: uma das grandes adaptações de anime para o ocidente

Presos em uma espécie de “maldição”, animes encontraram uma de suas primeiras obras bem adaptadas para fora das animações 


Série supera expectativas e segue bem avaliada em sites agregadores | Crédito da foto: CNN Brasil
Série supera expectativas e segue bem avaliada em sites agregadores | Crédito da foto: CNN Brasil

Por Eduardo Tomé | Agência Abre Aspas


A espera acabou, e a segunda temporada do live-action de One Piece chegou, mostrando que, com respeito ao material original e as pessoas certas na produção, é possível transportar o caricato para a realidade.


One Piece, atualmente o mangá de maior sucesso do mundo, é escrito por Eiichiro Oda e publicado pela Shueisha, principal editora de mangás do Japão. A obra conta a história de um garoto chamado Monkey D. Luffy, um pirata que parte ao mar em busca de liberdade para realizar seu grande sonho: tornar-se o Rei dos Piratas e alcançar o lendário tesouro One Piece.


Para isso, ele conta com uma tripulação composta por Roronoa Zoro, espadachim; Nami, navegadora; Usopp, atirador; Sanji, cozinheiro; Chopper, uma rena médica; Robin, arqueóloga; Franky, carpinteiro; Brook, músico; e, por fim, Jinbe, o timoneiro.


O primeiro capítulo do mangá foi publicado em 22 de julho de 1997, alcançando o top 10 de vendas no mercado local, com 300 mil cópias distribuídas. Diante disso, uma adaptação para anime não demorou a sair: em 20 de outubro de 1999, animado pela Toei Animation, One Piece chegou às telas japonesas.


Em 2010, vivendo um dos momentos mais emblemáticos da obra, One Piece tornou-se um sucesso global, expandindo suas fronteiras e se consolidando de vez como o mangá e anime mais influente no Ocidente desde o fim das publicações de Dragon Ball e Naruto.


Em 2020, diante da exposição e do tempo ocioso ocasionados pela pandemia e pelos isolamentos sociais, muitas pessoas resolveram dar uma chance ao anime, que voltou a bater recordes e finalmente se firmou como um sucesso comercial. Recentemente, em 2026, a obra chegou à marca histórica de 600 milhões de cópias vendidas. Diante de todo esse sucesso, não demoraria para que a Netflix propusesse realizar o live-action da obra.


One Piece enterra de vez a “maldição” das adaptações de anime para o Ocidente, que ganhou força ao longo dos anos após projetos duramente criticados, como Dragon Ball e Death Note. Além de impressionar como adaptação, a série foi aclamada pelos fãs como a melhor versão live-action de um anime já produzida. Não é por acaso: a apresentação do universo, trabalhada de maneira mais direta e dinâmica, era justamente a grande ausência das adaptações anteriores.


A primeira temporada adapta alguns dos principais arcos iniciais, como Baratie e Arlong Park, encerrando-se na cena icônica em que o bando dos Chapéus de Palha, os protagonistas, declara seus sonhos em conjunto. A série altera diversos pontos da obra original para melhor adequação ao contexto de sua produção, tanto por se tratar de uma “tradução” para uma forma ocidental de encarar um produto tipicamente oriental quanto para marcar diferenças entre as diversas maneiras de narrar essa história, seja no mangá, no anime ou na série.


ESCOLHA DO ELENCO


A escolha do elenco, desde o início, foi um verdadeiro evento. Todos os fãs aguardavam ansiosamente para conhecer seus personagens favoritos e, após a revelação, engajaram fortemente com as interações que os atores produziam nas redes sociais, simulando seus personagens em ambientes digitais.

Podemos começar falando de quem mais interessa: o bando que acompanhamos ao longo de toda a história.


Iñaki Godoy parece ter nascido para interpretar Luffy. Sua atuação é impecável e consistente, sustentando um personagem bastante característico mesmo nos momentos em que o roteiro hesita em lhe conferir o protagonismo.


Mackenyu Arata é Zoro em carne e osso. A escolha de um ator japonês para interpretar um personagem que remete à cultura dos samurais e carrega preceitos budistas foi muito certeira, preservando essa identidade.


Emily Rudd, no papel de Nami, mantém o equilíbrio entre dureza e vulnerabilidade, sendo um dos pontos altos de atuação da série.


Jacob Gibson rouba a cena, trazendo um Usopp muito mais carismático e expressivo, sem perder a essência de “destemido medroso” do personagem original.


Taz Skyler entrega um Sanji mais gentil e atencioso, adaptação necessária diante das diferenças entre o tipo de humor oriental e o ocidental.


SEGUNDA TEMPORADA


A segunda temporada vem com uma missão diferente: manter o alto nível da série, agora em momentos de maior seriedade e complexidade, em especial pela adição de novos personagens, que expandem o universo.


Um dos principais casos é o de Nico Robin, com sua marcante introdução como vilã logo no início da temporada. Todos os fãs ansiavam por sua aparição, interpretada por Lera Abova.


A continuação adapta, entre outros, alguns dos arcos mais marcantes de todo o mangá, como Loguetown, mostrando a cidade onde nasceu e morreu o antigo Rei dos Piratas, e Drum, ilha que marca a introdução do médico Chopper, personagem que carrega um dos passados mais marcantes da história.


Outro grande acerto está na introdução de elementos futuros, instigando os novos fãs a seguir acompanhando a trama e agradando os antigos com a surpresa de encontrar referências já conhecidas. Exemplo disso são os personagens Bartolomeo e Sabo, que só aparecem em capítulos posteriores do mangá, além da breve menção a God Valley, evento de grande relevância no passado do mundo de One Piece.


Os efeitos de computação gráfica e os efeitos práticos estão mais refinados na construção das cenas, detalhe relevante, já que o mangá carrega diversos elementos surreais, que só poderiam existir plenamente na linguagem das artes desenhadas, como nos animes, por exemplo.


Como principal ponto negativo, algumas mudanças de cenas não conseguiram alcançar um tom próximo ao impacto que tiveram na obra original. É o caso do discurso de Monkey D. Dragon, uma cena importante para aproximar o público de um personagem que carrega diversos segredos e conexões centrais, mas que aqui foi deixada de lado. Cenas assim não comprometem a experiência completa do live-action, mas enfraquecem construções já conhecidas pelos fãs.

O sucesso de One Piece se dá, principalmente, pela genialidade do autor ao contar uma história coesa e marcante, capaz de amarrar pontas soltas deixadas nos volumes iniciais centenas de capítulos depois. A segunda temporada de One Piece atingiu o primeiro lugar da Netflix em diversos países. A série, muito bem adaptada pelo showrunner Matt Owens, principal responsável criativo e fã assumido da obra, tratou o material original com respeito e segue alcançando novas pessoas, além de ampliar o alcance de uma das principais obras de seu tempo.



1 comentário


Eduardo, o seu texto me conquistou pela forma como trata One Piece com conhecimento e entusiasmo. A análise mostra bem por que a adaptação da Netflix funcionou, especialmente no respeito ao material original, nas escolhas de elenco e na construção do universo. Gostei do equilíbrio entre elogio e crítica, porque o texto valoriza a série sem deixar de apontar seus limites.

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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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