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Entre passos e negócios: como a dança transformou uma jovem empreendedora em referência em Ubiratã

Laudiene Sesco transformou a dança em um pequeno negócio que movimenta sonhos, gera renda e fortalece a economia criativa no interior do Paraná


Quando a paixão e o empreendedorismo se encontram | Crédito da foto: arquivo pessoal
Quando a paixão e o empreendedorismo se encontram | Crédito da foto: arquivo pessoal

Por Raissa Silva Rodrigues | Agência Abre Aspas


Em um mercado onde viver da arte ainda é um desafio para muitos brasileiros, a dança se transformou em profissão, renda e oportunidade para a coreógrafa Laudiene Sesco, em Ubiratã, no Oeste do Paraná. Atuando com coreografias para casamentos, aniversários de debutantes e eventos, a jovem empreendedora encontrou na dança uma forma de construir independência financeira e transformar momentos especiais em experiências marcadas pela emoção. A trajetória dela também evidencia como pequenos negócios ligados à economia criativa vêm ganhando espaço e movimentando a economia local.


O COMEÇO


A dança entrou na vida de Laudiene ainda cedo, inicialmente como uma paixão e uma forma de expressão pessoal. O que começou apenas como algo prazeroso foi ganhando novos significados conforme ela passou a se envolver cada vez mais com apresentações, ensaios e aulas. Aos poucos, a jovem percebeu que aquilo que fazia por amor também poderia se transformar em profissão.

“A dança entrou na minha vida de forma muito natural, primeiro como uma paixão e uma forma de expressão. Sempre foi algo que me fazia sentir bem, feliz e conectada comigo mesma”, conta.

A primeira experiência profissional aconteceu durante uma apresentação para uma turma de terceirão. A coreografia envolvia cerca de 15 pessoas e foi construída a partir de um remix personalizado. Apesar do nervosismo e da responsabilidade, Laudiene guarda a experiência com carinho. “Foi algo incrível, único e desafiador, mas era uma turma tão sensacional que tudo aconteceu de forma leve e natural”, relembra.


Com o passar do tempo, os pedidos começaram a aumentar. Debutantes, noivos e clientes de diferentes eventos passaram a procurar seu trabalho, fazendo com que ela enxergasse a dança além do lado artístico. “Quando as pessoas começaram a procurar mais pelo meu trabalho e apareceram os primeiros eventos, despertou algo ainda maior dentro de mim. Principalmente por eu ser pioneira na cidade atuando como coreógrafa especializada em debutantes, casamentos e eventos”, afirma.


ALÉM DA APRESENTAÇÃO PRONTA


Apesar de o público enxergar apenas o resultado final das apresentações, os bastidores exigem dedicação intensa, planejamento e organização. Antes de cada coreografia existe uma preparação que envolve conversas com os clientes, escolha de músicas, criação dos movimentos e diversos ensaios até que tudo esteja alinhado para o grande dia.


“Tudo começa com uma conversa para eu entender o estilo, a história e o objetivo do cliente. Depois, faço uma coreografia personalizada e iniciamos os ensaios, sempre respeitando o ritmo e trazendo confiança para eles”, explica Laudiene. Além da parte técnica, ela afirma que o lado emocional também faz parte da rotina. Muitas pessoas chegam inseguras, tímidas ou com medo de não conseguir aprender os passos. Por isso, o trabalho acaba indo além da dança.

“Meu maior objetivo é que eles aproveitem o momento com segurança, leveza e muita emoção”, diz.

Segundo Laudiene, os bastidores também envolvem responsabilidades que muitas vezes não aparecem para o público. “Muita gente vê apenas a apresentação pronta, mas por trás existe muito planejamento, dedicação e responsabilidade. Tem horas escolhendo músicas, organizando horários, resolvendo imprevistos e cuidando de cada detalhe para tudo acontecer da melhor forma.”


DESAFIOS DE VIVER DA ARTE


Assim como outros profissionais da área artística, Laudiene também enfrentou inseguranças e dificuldades ao tentar viver da dança. A instabilidade financeira e a pressão para crescer profissionalmente fizeram parte da trajetória da jovem empreendedora. “Já tive muito medo. Quem trabalha com dança sabe que nem sempre é fácil, porque existem fases difíceis, inseguranças e muita cobrança”, relata.


Ela conta que, em alguns momentos, chegou a pensar em desistir. “Principalmente quando as coisas não aconteciam no tempo que eu queria. Mas toda vez que eu entrava em sala, dava aula ou via alguém feliz através da dança, eu lembrava do motivo pelo qual comecei”. Mesmo diante das dificuldades, Laudiene afirma que a dança acabou transformando não apenas sua vida financeira, mas também sua forma de enxergar a si mesma. “Aprendi a lidar com pessoas, desafios, organização e também a acreditar mais no meu potencial e nos meus sonhos”.


CRESCIMENTO NAS REDES


As redes sociais tiveram papel importante no crescimento do negócio. Foi através delas que Laudiane conseguiu divulgar os trabalhos, alcançar novos públicos e fortalecer a própria marca na cidade. “As redes sociais foram fundamentais para o meu crescimento, porque através delas consegui mostrar meu trabalho, minha dedicação e minha personalidade para muito mais pessoas”, afirma.


Além da divulgação, as plataformas também passaram a funcionar como espaço de conexão com clientes e seguidores. “Hoje elas não servem apenas para divulgação, mas também para criar confiança e proximidade com as pessoas”. A presença digital ajudou a profissional a ampliar o alcance do trabalho e conquistar novos clientes, especialmente em um mercado onde a visibilidade é essencial para pequenos empreendedores.


MOVIMENTAÇÃO LOCAL


Segundo a Sala do Empreendedor de Ubiratã, iniciativas ligadas à economia criativa possuem impacto importante no desenvolvimento econômico e social do município.


Para Arnaldo Tomaz de Lima, coordenador de proteção e defesa do consumidor, atendimento do MEI e agente do Fomento Paraná, pequenos empreendedores ajudam a fortalecer a economia local e ampliar oportunidades no futuro. “Os empreendedores de hoje aumentarão as receitas e a arrecadação do município no futuro, além de trazerem uma série de benefícios, visão diferenciada e novos nichos mercadológicos”, destaca.


A equipe da Sala do Empreendedor também reforça a importância da arte e da cultura dentro desse processo. “A cultura tem um papel fundamental no desenvolvimento mental, ampliando a visão das pessoas e proporcionando um entretenimento diferente”. Além do impacto cultural, eventos como casamentos, aniversários e festas também movimentam diversos outros setores da economia, como fotografia, maquiagem, decoração, produção de eventos e salões de beleza. “Todo e qualquer tipo de trabalho ajuda a movimentar não só a economia, mas também a mobilização de pessoas e a profissionalização dos eventos significativos na vida das pessoas”, afirma a equipe.


FUTURO PELA DANÇA


Hoje, Laudiene afirma que o maior retorno do trabalho não está apenas na renda financeira, mas principalmente no impacto causado na vida das pessoas. “Ver alguém realizar um sonho, ganhar confiança ou viver um momento inesquecível através da dança é algo que me marca muito”, diz. Para o futuro, ela pretende expandir os projetos, fortalecer ainda mais a própria marca e continuar levando a dança para mais pessoas. “Quero mostrar que a dança vai muito além de passos. Ela traz autoestima, felicidade, conexão e transformação”.

Em meio às discussões sobre empreendedorismo e desenvolvimento econômico, histórias como a de Laudiene mostram que pequenos negócios também podem nascer da arte, da emoção e da coragem de transformar talento em oportunidade.

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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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