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Energia solar avança entre mitos, regras e geração própria

Da Lei 14.300 aos sistemas fotovoltaicos, compreender a geração solar ajuda consumidores a avaliar custos, desfazer informações falsas e acompanhar a transição energética


Vista do alto, usina solar mostra a dimensão de uma transformação que vai além da paisagem. Cada painel representa um passo na produção de energia limpa | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Vista do alto, usina solar mostra a dimensão de uma transformação que vai além da paisagem. Cada painel representa um passo na produção de energia limpa | Crédito da foto: Arquivo pessoal

Por Jamile Milzarek | Agência Abre Aspas


Durante anos, a energia solar foi tratada como uma promessa distante. Hoje, ela já ocupa telhados, áreas rurais, empresas e grandes usinas, movimenta investimentos e muda a relação de consumidores com a conta de luz. O paradoxo é que, enquanto a tecnologia avança, a desinformação ainda acompanha esse crescimento. Entender como um sistema fotovoltaico funciona deixou de ser assunto apenas técnico. Passou a ser parte da discussão sobre economia, planejamento e transição energética.


A energia solar deixou de ser vista como alternativa restrita a grandes empresas ou propriedades rurais. Em muitos casos, passou a fazer parte da realidade de residências, comércios e indústrias. O que antes parecia distante tornou-se uma decisão ligada ao orçamento familiar, à autonomia energética e à busca por fontes menos poluentes.


GERAÇÃO PRÓPRIA


Uma das principais responsáveis por essa expansão é a geração distribuída. Nesse modelo, o próprio consumidor produz energia por meio de um sistema fotovoltaico instalado em sua casa, empresa ou propriedade rural. Quando a produção supera o consumo, o excedente é enviado para a rede elétrica e convertido em créditos, que podem ser usados em períodos de menor geração.


Também cresceu o modelo de geração compartilhada por meio de usinas solares. Nesse formato, a energia é produzida em uma central fotovoltaica, e os créditos são destinados aos consumidores participantes. Com isso, mesmo quem não tem telhado adequado, espaço disponível ou condição técnica para instalar painéis pode acessar parte dos benefícios da energia solar.


Essa mudança altera o papel do consumidor. Ele deixa de ocupar apenas a posição de usuário da rede elétrica e passa a participar da produção de energia. É uma transformação que envolve tecnologia, regulação, planejamento financeiro e uma nova forma de pensar o consumo.


A LEI E A CONFUSÃO SOBRE A TAXAÇÃO DO SOL


Foi nesse cenário de crescimento que entrou em vigor a Lei nº 14.300, conhecida como Marco Legal da Micro e Minigeração Distribuída. Durante meses, a legislação foi resumida nas redes sociais pela expressão “taxação do sol”. A frase ganhou força, mas simplificou uma discussão mais ampla.


A lei estabeleceu regras para um setor que crescia rapidamente e precisava de segurança jurídica. Ao definir critérios para a compensação de energia e para o uso da infraestrutura da rede elétrica, o marco regulatório buscou dar previsibilidade para consumidores, empresas, distribuidoras e investidores.


Isso não significa que todos os impactos sejam irrelevantes para quem pretende investir. O consumidor precisa calcular custos, prazos de retorno, perfil de consumo e condições do projeto. A diferença é que a discussão não pode se limitar a uma frase de efeito. Energia solar exige informação, simulação responsável e análise técnica.


MITOS QUE AINDA CIRCULAM


Entre os mitos mais comuns está a ideia de que o sistema só funciona em dias de céu aberto. Os painéis não dependem do calor, e sim da radiação solar. Em dias nublados, a produção diminui, mas não desaparece. Se a geração solar dependesse de sol forte o tempo todo, países com menor incidência solar não estariam entre os mercados que mais utilizam essa tecnologia.

Outro equívoco frequente é acreditar que a instalação dos painéis elimina totalmente a relação com a distribuidora de energia. Na maior parte dos sistemas conectados à rede, o consumidor continua utilizando a infraestrutura elétrica. Durante o dia, pode produzir mais do que consome. À noite ou em períodos de baixa geração, usa créditos ou energia da rede.


Também há quem enxergue a energia solar apenas como forma de reduzir a conta de luz. A economia é um dos fatores que impulsionam a decisão, mas não é o único. A expansão dessa fonte ajuda a diversificar a matriz elétrica, reduz perdas associadas a longas distâncias de transmissão e estimula uma cadeia produtiva que envolve instalação, manutenção, tecnologia e qualificação profissional.


MAIS DO QUE PAINÉIS NO TELHADO


A energia solar faz parte de uma mudança maior. Não se trata apenas de colocar placas sobre telhados. Trata-se de construir um modelo energético mais descentralizado, com consumidores mais atentos ao próprio uso de energia e com maior participação de fontes renováveis.


O crescimento, porém, também impõe desafios. A expansão da geração distribuída exige redes mais modernas, acompanhamento regulatório, profissionais capacitados e projetos bem dimensionados.

Quando a instalação é feita sem estudo adequado, o consumidor pode criar expectativas irreais sobre economia e desempenho.

Por isso, a informação tem papel central. Muitos interessados chegam ao mercado com dúvidas formadas por vídeos curtos, promessas de economia imediata e explicações incompletas sobre a Lei nº 14.300. Alguns acreditam que o sistema para de funcionar quando chove. Outros pensam que a legislação inviabilizou qualquer geração própria. Há ainda quem não diferencie sistema individual, geração compartilhada e fazendas solares.


INFORMAÇÃO TAMBÉM GERA ENERGIA


O Brasil tem condições favoráveis para ampliar o uso da energia solar. O país conta com boa incidência de radiação, mercado em expansão e consumidores cada vez mais atentos ao custo da eletricidade. Ainda assim, o avanço da tecnologia precisa vir acompanhado de informação clara.


No fim, talvez o maior obstáculo da energia solar nunca tenha sido a ausência de sol, mas a circulação de informações erradas. A luz está disponível. O desafio é fazer com que o conhecimento necessário para aproveitá-la chegue a mais pessoas, com menos promessa fácil e mais responsabilidade.




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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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