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Desafio da Diversificação: Como a TM Balanças e a Fácil Esporte Consolidaram seus Mercados

Como o foco na qualidade técnica permitiu que um negócio de assistência de balanças expandisse para a indústria esportiva


Fácil Esporte e TM Balanças, um grupo focado em resultados e qualidade técnica | Crédito da foto: Eduardo Tomé
Fácil Esporte e TM Balanças, um grupo focado em resultados e qualidade técnica | Crédito da foto: Eduardo Tomé

Por Eduardo Tomé Da Silveira | Agência Abre Aspas


Muitos empresários, depois de consolidarem uma marca, passam a sentir o desejo ou a ter a oportunidade de ampliar o portfólio e ingressar em novos setores. Todavia, a jornada que vai da concepção à viabilidade econômica de um segundo negócio está repleta de riscos e demanda algo além da coragem: requer planejamento técnico e uma visão de mercado bem definida.


José Machado, um dos responsáveis pela TM Balanças e pela Fácil Esporte, empresas em Cascavel (PR), tem uma trajetória que exemplifica os altos e baixos de quem opta não só por manter uma atividade empresarial de longa data, mas também por investir na indústria e no comércio eletrônico de artigos esportivos.


A BASE


Tudo começou em 2001, com José Machado e seu sócio, que eram amigos desde a adolescência. Após seguirem caminhos distintos no mercado de trabalho, ambos se juntaram e decidiram encarar um projeto quando Machado resolveu encerrar as atividades de sua empresa em Cascavel.


"A empresa ia fechar e surgiu a ideia de fazermos uma proposta para assumir as instalações e os veículos. Abrimos um novo CNPJ em 2001, com o sócio focado na parte comercial e eu na técnica. No início, a dificuldade era a de toda empresa: falta de capital de giro e a necessidade urgente de agregar novos clientes", relembra Machado.

A TM Balanças consolidou-se ao longo de dez anos focados na prestação de serviço de qualidade e assistência técnica robusta. Hoje, a empresa é uma referência, com uma filial em Curitiba. O segredo, segundo Machado, sempre foi a responsabilidade. "Se você presta um bom serviço, você vai vender. O cliente compra de quem dá suporte e confiança".


CRIAÇÃO DA FÁCIL ESPORTE


Com a TM Balanças consolidada, surgiu, em 2015, uma nova oportunidade, em um ramo completamente diferente: o esportivo. Juarez, um amigo em comum, tinha o sonho de fabricar minitraves de futebol em larga escala. Ele já vendia o produto de forma artesanal, batendo de porta em porta ou em estacionamentos.


Machado e seu sócio abraçaram a ideia, mas o caminho não foi simples. "Entramos no projeto, registramos a marca e passamos por muitas dificuldades no começo. Desenvolvemos o produto e entramos no e-commerce”. A empresa, agora batizada de Fácil Esporte, evoluiu de uma simples ideia de revenda para uma indústria completa.

Em janeiro de 2024, a Fácil Esporte inaugurou sua linha de produção própria, com máquinas importadas da China, tecnologia de corte a laser e solda robótica. O mix de produtos expandiu-se para aros de basquete, equipamentos de mini vôlei e, especialmente, produtos adaptados para acessibilidade, como balanços para cadeirantes.


ABERTURA DA SEGUNDA EMPRESA


A transição de Machado entre o setor de balanças e o setor esportivo é o que o consultor do Sebrae Emerson Di Domenico Durso chama de "diversificação de risco". Segundo Emerson, o empreendedor precisa ter cautela redobrada ao sair de um setor conhecido.


"Entrar em um mercado novo exige planejamento, dedicação e muito trabalho. Uma oportunidade pode parecer viável, mas só com muito esforço de pesquisa é possível determinar se de fato será", alerta.


Para Durso, antes de abrir um segundo CNPJ, o empresário deve avaliar três pilares. Em relação aos fornecedores, não se deve ficar restrito a poucos parceiros; é importante mapear onde eles estão, avaliar os custos logísticos e verificar a confiabilidade das entregas. Já no que diz respeito à concorrência, não basta saber quem são os rivais; é necessário analisar fatores como horário de atendimento, mix de produtos, localização, preços e estrutura das empresas concorrentes. Além disso, é fundamental acompanhar as mudanças de mercado, mantendo-se atento às rápidas transformações tecnológicas e às novas tendências de consumo. "Você não pode ser apenas mais um. Tem que buscar um diferencial", diz.


PERIGO FINANCEIRO


Um dos pontos mais sensíveis relatados por José Machado foi a interdependência financeira inicial entre as duas marcas. "Como os sócios eram os mesmos, houve épocas em que precisamos realocar valores de uma empresa para outra para cobrir salários, impostos e investimentos. Houve um período em que não sabíamos bem para que rumo as coisas iam".


Essa prática, embora comum, é desaconselhada por Emerson Durso, que enfatiza como o novo negócio deve ser autossuficiente. "O empreendedor precisa levar em conta suas possibilidades financeiras. O ideal é fazer um levantamento do valor total necessário, estimar estoque inicial, faturamento e custos de mão de obra através de um plano de negócios sólido, para não comprometer o caixa da empresa principal".


A TM Balanças acabou servindo como o suporte necessário para que a Fácil Esporte sobrevivesse aos "perrengues" iniciais, mas Machado ressalta que hoje as duas caminham sozinhas, com a Fácil Esporte sendo gerida pelo filho de seu sócio, que cuida da parte comercial e industrial.


IDEIA E OPORTUNIDADE


Muitos empreendedores confundem uma "boa ideia" com uma "oportunidade de negócio". Durso esclarece que uma ideia só se torna oportunidade quando atende a uma necessidade real de funcionalidade, qualidade, durabilidade e preço. "O empreendedor deve estudar o mercado para ter segurança de que a ideia gera valor para o usuário final", explica o consultor.


Além disso, é preciso distinguir o que é modismo do que é tendência. "É possível ganhar dinheiro com modismos, como produtos que viralizam e somem, mas não é recomendado fazer grandes investimentos neles. As tendências são mais estáveis e duradouras", completa. Machado sentiu isso na pele, a linha de produtos de acessibilidade da Fácil Esporte, que teve um pico de vendas entre 2021 e 2022, sofreu uma queda de 80% quando o investimento governamental nesse setor diminuiu. A solução foi virar a chave e focar novamente na linha esportiva e em novos lançamentos.


CUSTO E CONCORRÊNCIA DESLEAL


José Machado não esconde as dificuldades de manter uma indústria no atual cenário econômico. Ele aponta o "Custo Brasil": impostos elevados, logística cara e incertezas políticas como principais gargalos. "Trabalhamos no fio da navalha. Com a taxa Selic alta, o empresário trabalha para manter a estrutura, mas muitas vezes não sobra dinheiro".

Outro desafio enfrentado pela Fácil Esporte é a concorrência desleal, especialmente na internet. Machado optou por uma estratégia de “posicionamento premium”.

"Nós somos os mais caros do mercado, porque não abrimos mão da qualidade robusta. O nosso produto sai da serra até a pintura e embalagem totalmente dentro da nossa indústria, com total controle. Quem compra por preço, muitas vezes não compra uma segunda vez. Quem compra qualidade, volta".

DIVERSIFICAÇÃO


Para os pequenos negócios que buscam novos mercados, Durso recomenda um planejamento que vá além da análise financeira. Segundo ele, é importante avaliar se o arranjo físico (layout) é adequado para a nova operação, entender a capacidade produtiva do negócio para identificar quanto é possível produzir ou vender sem comprometer a qualidade e definir a forma jurídica e tributária mais adequada para evitar o pagamento desnecessário de impostos. Também é fundamental desenvolver estratégias promocionais alinhadas aos hábitos de consumo de informação do público-alvo. Além disso, quando o empreendedor pretende atuar em um segmento que desconhece, Durso sugere considerar o modelo de franquias, que oferece treinamento e uma marca já consolidada, reduzindo em cerca de 15% o risco de fechamento em comparação com empresas independentes.


A trajetória de José Machado entre a TM Balanças e a Fácil Esporte mostra que a diversificação exige uma resiliência quase inesgotável. De um lado, a estabilidade de uma empresa de serviços que está no mercado regional há décadas, de outro, o dinamismo e as incertezas de uma indústria jovem que busca seu espaço no vasto e competitivo mundo do e-commerce.


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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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