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Como médicos e psicólogos de Cascavel enfrentam o avanço da ansiedade

Profissionais da saúde relatam aumento de casos ligados ao adoecimento emocional


Psicologia e medicina em Cascavel unem cuidados diante do estresse crescente | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Psicologia e medicina em Cascavel unem cuidados diante do estresse crescente | Crédito da foto: Arquivo pessoal

Por Alexandre Amorim de Souza | Agência Abre Aspas


Em um cenário marcado pelas transformações sociais dos últimos anos, principalmente após a pandemia de Covid-19, falar sobre saúde deixou de ser apenas uma questão biológica. Cuidar do corpo e da mente tornou-se parte importante da rotina de muitas pessoas. Nesse contexto, medicina e psicologia ganham relevância tanto pelo tratamento de doenças quanto pelo papel que exercem na construção de uma sociedade com mais equilíbrio.

 

Essas duas áreas, embora distintas, se complementam quando o assunto é o cuidado com o ser humano. Mais do que diagnósticos e terapias, o que está em jogo é a compreensão da vida em sua complexidade. As entrevistas com o médico Carlo Fontana e com a psicóloga Thays Antonie Magalhães ajudam a discutir essa relação.

 

Ao falar sobre a prática em Cascavel-PR, Carlo destaca um diferencial importante: o nível de atendimento profissional, principalmente nos serviços de maior complexidade, com hospitais estruturados. Esse cenário mostra como o avanço da medicina também depende de investimentos em estrutura, qualificação e valorização dos profissionais. Afinal, quando existe um sistema de saúde preparado, toda a população é beneficiada.

 

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que a saúde física e mental da população enfrenta novos desafios nos últimos anos. Em pesquisa realizada pela Covitel, em 2023, dados revelam que 26,8% da população brasileira apresenta diagnóstico de ansiedade. A rotina acelerada, a pressão profissional, o excesso de informações e o uso constante das redes sociais contribuem para o desgaste emocional.

Muitas pessoas acabam vivendo no automático, negligenciando sinais de cansaço, ansiedade e estresse, como se cuidar da própria saúde fosse algo secundário diante do cotidiano.

 

TECNOLOGIA, SAÚDE E CUIDADO HUMANO

 

Os avanços tecnológicos também trazem desafios. A presença da telemedicina, de novos equipamentos e de procedimentos inovadores exige atualizações constantes. Para o médico, esse talvez seja um dos maiores desafios da atualidade: acompanhar a evolução da tecnologia sem perder a essência do cuidado humano.

 

Ao falar sobre a psicologia, Thays Magalhães afirma que cada paciente carrega uma história única, marcada por experiências, emoções e realidades diferentes. Isso exige do profissional conhecimento técnico, sensibilidade, escuta qualificada e ética.

 

A escolha pela psicologia surgiu justamente desse interesse pelo comportamento humano e pelas dinâmicas emocionais. Desde o início de sua trajetória, a busca foi entender não só os sintomas, mas também a subjetividade de cada pessoa. “Desde cedo, busquei compreender não apenas os sintomas, mas a história e a subjetividade de cada paciente. Isso foi essencial para a construção de uma escuta qualificada e ética”, afirma.

 

Entre os principais desafios da área, Thays aponta o aumento de problemas como ansiedade, depressão e estresse. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica um aumento de 25% na população ansiosa e depressiva no mundo desde a pandemia de Covid-19. Esses fatores afetam o indivíduo e também interferem nas relações sociais, no desempenho profissional e no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Vivemos em uma sociedade acelerada, marcada por cobranças e comparações constantes, e isso tem um custo emocional alto.

 

Além disso, ainda existe preconceito quando o assunto é saúde mental. Muitas pessoas têm receio de procurar ajuda psicológica por medo de julgamento ou por acreditarem que terapia é necessária apenas em casos extremos. Esse pensamento, porém, acaba afastando indivíduos de um acompanhamento que poderia melhorar sua qualidade de vida. Cuidar da mente deveria ser encarado da mesma forma que cuidar do corpo: como uma necessidade natural e importante para o bem-estar. “Muitas pessoas ainda enxergam a terapia como algo destinado apenas para momentos extremos. Isso faz com que procurem ajuda apenas quando o sofrimento já está muito intenso”, relata.

 

Nesse cenário, a terapia psicológica ganha um papel importante. Mais do que um recurso para momentos de crise, ela se apresenta como uma ferramenta de autoconhecimento e equilíbrio. A psicóloga reforça que cuidar da mente não deve ser visto como algo pontual, mas como parte de um processo contínuo de desenvolvimento pessoal. “A psicoterapia oferece um espaço seguro de escuta, reflexão e elaboração emocional. Ela contribui para o autoconhecimento, fortalecimento emocional e construção de relações mais equilibradas”, afirma.

 

Entretanto, a qualidade de vida não pode ser atribuída apenas à medicina ou à psicologia. Embora essas áreas sejam fundamentais, também é necessário discutir acesso, rotina, condições de trabalho e autocuidado. Pequenas atitudes do cotidiano fazem diferença na saúde física e mental, auxiliando na prevenção de doenças e na melhoria do bem-estar emocional.

 

Além disso, ambos apontam, mesmo que de formas diferentes, o papel social de suas profissões. Carlo fala sobre a importância de inspirar novas gerações de médicos, enquanto Thays reforça a necessidade de formação contínua e responsabilidade no cuidado com a saúde mental. Em comum, está a ideia de que essas áreas não se limitam ao atendimento individual, mas influenciam diretamente a sociedade como um todo.

 

Investir em saúde é investir em qualidade de vida. E isso passa pela valorização desses profissionais, pela conscientização da sociedade sobre a importância do cuidado integral e também pela adoção de hábitos mais saudáveis no dia a dia.

 

No fim das contas, a reflexão que fica é simples, mas essencial: não existe saúde sem equilíbrio entre corpo e mente. Entender isso é um passo importante para construir uma sociedade mais consciente, mais saudável e mais humana.


A Psicologia é uma profissão profundamente transformadora, tanto para quem exerce quanto para quem é atendido, mas exige compromisso genuíno com o cuidado humano”, conclui Thays.



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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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