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Belém, a menina de dois anos que pediu Michael Jackson de presente

Uma admiração precoce, um pedido improvável e uma festa que ficou na memória da família


Após a timidez inicial, Belém Hoflinger aproveitou a noite dançando e brincando ao lado do Michael Jackson. | Crédito da foto: Gabriela Fellini 
Após a timidez inicial, Belém Hoflinger aproveitou a noite dançando e brincando ao lado do Michael Jackson. | Crédito da foto: Gabriela Fellini 

Por Lucas Carvalho | Agência Abre Aspas

 

Toda criança tem suas paixões. Algumas escolhem super-heróis. Outras se encantam por princesas, desenhos animados ou personagens coloridos do universo infantil. Belém, aos dois anos de idade, seguiu por outro caminho: escolheu Michael Jackson.

 

Na casa da família, não havia nenhum altar dedicado ao Rei do Pop. As músicas apareciam de vez em quando no cotidiano, até que Belém passou a reagir de um jeito próprio. Antes mesmo de falar com desenvoltura ou andar com firmeza, já demonstrava atenção especial sempre que a voz de Michael Jackson tomava o ambiente.

 

Segundo a família, o primeiro encontro aconteceu por acaso. Um videoclipe apareceu na televisão e a reação foi imediata: Belém parou, observou, apontou para a tela e dançou sentada.

 

No dia seguinte, os pais repetiram a cena, imaginando que pudesse ter sido apenas coincidência. Não era. A figura de chapéu, passos marcados e músicas conhecidas havia conquistado uma admiradora improvável.

 

Pouco tempo depois, Belém já tentava repetir um nome conhecido no mundo todo. Entre as primeiras referências que aprendeu, “Billie Jean” entrou para a lista de favoritos.

 

Com o passar dos meses, o repertório aumentou. Hoje, a música preferida é “Thriller”. Os clipes de “Black or White” e “They Don't Care About Us” também fazem parte da programação da pequena fã.

 

Mas, talvez, o detalhe mais curioso não seja o gosto musical. É o modo como ela reconhece o artista. 

 

Em um passeio no shopping, Belém interrompeu a caminhada para avisar à mãe: “Olha, mamãe, Michael Jackson”. Os pais olharam ao redor, sem entender. Não havia sósia, cartaz ou apresentação. Alguns segundos depois, perceberam que uma música do artista tocava discretamente no som ambiente.

 

Belém havia identificado antes de todos. Foi nesse momento que a família entendeu que a relação da menina com o artista não era apenas uma preferência passageira.

 

Quando o aniversário de dois anos se aproximou, os pais fizeram a pergunta clássica: o que ela queria de presente? A resposta veio sem hesitação: “Michael”. Os pais tentaram apresentar outras opções, mas a resposta se repetia: “Michael”. Insistiram. A resposta continuou a mesma: “Michael”. Não havia negociação possível.

O pedido, porém, trazia um desafio que nenhuma criança de dois anos costuma considerar: encontrar alguém que interpretasse Michael Jackson em uma festa infantil não era tão fácil quanto contratar princesas, super-heróis ou personagens de desenho.

A família procurou até encontrar alguém disposto a embarcar na aventura: Lucas Carvalho Kuhn, ator de escola de teatro e autor desta reportagem. A participação do repórter como personagem da festa é retomada, em tom pessoal, na nota final do texto.

Quando Michael finalmente apareceu, Belém estranhou vê-lo tão de perto. Acostumada a conhecê-lo apenas pela televisão, chorou, procurou o colo da mãe e observou tudo com cautela, tentando entender se aquilo era real.

Depois de alguns minutos, a desconfiança cedeu espaço à brincadeira.

Belém começou a dançar, brincar e percorrer o salão atrás do novo amigo.

 

A cena se repetiu tantas vezes que parecia natural acreditar que o Rei do Pop havia tirado uma folga da história para participar de um aniversário infantil no interior do Brasil.

Na despedida, Michael deixou o chapéu de presente. Para Belém, o acessório passou a ser uma lembrança daquele dia, como se o amigo dos clipes tivesse saído da televisão para participar da festa.

 

Depois da festa, veio aquilo que os pais costumam observar com carinho: a memória sendo construída.

 

Belém continuou falando sobre o aniversário, revivendo cenas, lembrando a presença de Michael e guardando o episódio como quem protege um tesouro recém-descoberto.

 

Talvez, daqui a alguns anos, ela desenvolva novos gostos musicais. Talvez encontre outros artistas, outras paixões e outros interesses. A infância tem dessas mudanças rápidas e imprevisíveis.

 

Por enquanto, há algo bonito na imagem de uma menina de dois anos que escuta os primeiros acordes de uma música em meio ao barulho do mundo e reconhece, antes de todos, seu artista favorito.

 

Porque crescer também passa por isso: descobrir quem somos a partir das coisas que fazem nossos olhos brilharem.
E os olhos de Belém brilham ao som de Michael Jackson.

NOTA DO AUTOR


Registros da festa de Belém ao lado do seu ídolo, Michael Jackson | Crédito da foto: Gabriela Fellini
Registros da festa de Belém ao lado do seu ídolo, Michael Jackson | Crédito da foto: Gabriela Fellini

Esta reportagem também me atravessa de uma forma particular. Além de ouvir Gabriela, Fernando e acompanhar a história de Belém como repórter, fui quem vestiu o figurino, colocou o chapéu e apareceu na festa como Michael Jackson.


Fui recebido com muito carinho por Gabriela, Fernando e toda a família, que me acolheram de forma especial desde o primeiro momento. E a Belém, com sua alegria, espontaneidade e brilho nos olhos, transformou aquela festa em uma experiência inesquecível.


Que ela nunca perca essa capacidade tão bonita de se encantar com a música, com a arte e com as pequenas alegrias da vida. Que continue crescendo cercada de amor, cultivando sua personalidade única e seguindo seus próprios sonhos, assim como já faz hoje.


À Belém, minha admiração e o desejo de que tenha uma vida repleta de felicidade, conquistas e momentos tão especiais quanto aquele aniversário. Você é uma menina incrível e merece todo o sucesso do mundo.


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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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