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Artesanato se torna renda e autonomia nas mãos de mães empreendedoras

Em cidades do Oeste do Paraná, mulheres transformam bordado, crochê e amigurumi em pequenos negócios para conciliar trabalho, cuidado com os filhos e geração de renda


No ateliê de Marcia Arioli, em Medianeira, a máquina de bordado divide espaço com linhas, tecidos e peças feitas sob encomenda | Crédito da foto: Rayssa Farinon
No ateliê de Marcia Arioli, em Medianeira, a máquina de bordado divide espaço com linhas, tecidos e peças feitas sob encomenda | Crédito da foto: Rayssa Farinon

Por Rayssa Farinon | Agência Abre Aspas

 

Antes de ligar a máquina de bordado, Marcia Arioli confere linhas, tecidos, matrizes eletrônicas e mensagens de clientes que chegam pelo Instagram. O ateliê fica ao lado de casa, em Medianeira (PR), para que ela consiga produzir sem se afastar da rotina da filha, hoje, com 14 anos. Na mesma cidade, Pollyana Fiorin transforma linhas em amigurumis para o universo materno-infantil. A 16 quilômetros dali, em Matelândia (PR), Daniela Angotti Martins borda à mão entre os cuidados com a filha e os pedidos das clientes. Em comum, as três encontraram no artesanato uma forma de gerar renda, organizar o próprio tempo e manter o trabalho perto da vida familiar.

 

Para Marcia Arioli, a escolha pelo artesanato veio de uma necessidade familiar: trabalhar sem se afastar da filha. Sem familiares por perto para dividir os cuidados em Medianeira, Marcia encontrou no próprio ofício uma forma de gerar renda e organizar a rotina ao redor da maternidade. Ela resume a decisão em uma frase: “Não tenho rede de apoio em Medianeira e precisava estar com a minha filha. Foi pensando nisso que gerei esse emprego para mim. Eu me emprego”.

 

Antes de o ateliê existir, porém, o artesanato já fazia parte da vida dela. Aos 12 anos, Marcia olhava para os próprios pontos e perguntava: “Mãe, você arrumou meu bordado durante a noite?”. A desconfiança de menina, diante da costura que parecia ter melhorado enquanto ela dormia, marca o início de uma relação com linhas, tecidos e agulhas que mais tarde se transformaria em trabalho.

 

Durante a graduação em Sociologia, em Florianópolis (SC), Marcia vendia bolsas de crochê coloridas. A prática iniciada aos nove anos, em casa, ganhou novo sentido quando passou a gerar renda.

 

Por suas mãos passam linhas, tecidos e pedidos de clientes que buscam peças personalizadas para uso próprio ou para presentear alguém. Essa demanda mantém a empreendedora em busca de conhecimento técnico, novos acabamentos e combinações de cores.

 

Há cerca de 17 anos vivendo e trabalhando em Medianeira, Marcia recorda que, com a chegada da filha, decidiu com o marido construir um ateliê junto à residência. A escolha permitiu conciliar produção, atendimento aos clientes e cuidados maternos. Foi nesse espaço que nasceu o Ateliê Marcia Arioli Bordados.

 

Atualmente, entre os produtos que mais vende estão as alfaias litúrgicas, objetos sagrados usados nos ritos das cerimônias católicas. A artesã também cria outros itens sob demanda e adapta à máquina eletrônica diferentes pedidos, de peças para bebê a produtos personalizados.

 

Marcia trabalha ainda com uniformes para empresas, mas não se especializou nesse nicho porque prefere manter a liberdade criativa dos bordados personalizados.

 

No Marcia Arioli Bordados, o processo de produção é parcialmente automatizado. Em razão da alta demanda e de dores associadas ao trabalho repetitivo, a empreendedora precisou adquirir máquinas que, com o auxílio de softwares, realizam parte do processo. A tecnologia ampliou as possibilidades de imagens e artes para bordado. Os acabamentos finais, porém, continuam sendo feitos manualmente. “É uma junção de trabalho manual e das máquinas, uma ajudando a outra. Não há serviço de máquina sem trabalho manual”, afirma.

 

Ela conta que cria uma arte a partir do pedido do cliente e envia o material para uma profissional de Porto Alegre (RS), especializada na produção das matrizes eletrônicas usadas nas máquinas de bordado. Depois dessa etapa, Marcia recebe a matriz, insere o arquivo no equipamento e realiza o bordado.

 

Com o auxílio das máquinas, Marcia consegue concluir encomendas de menor complexidade em até uma hora e meia. Pedidos maiores costumam levar cerca de dois dias. Antes da modernização, trabalhos desse porte podiam exigir entre 30 e 40 horas de produção.

 

Para precificar as peças, a bordadeira considera os valores investidos em cursos, materiais, equipamentos, construção do espaço e mão de obra. Ela usa uma planilha em que registra os gastos fixos necessários para o funcionamento do ateliê e acrescenta os custos específicos de cada peça. Um jogo de toalhas de rosto e banho, por exemplo, é vendido por cerca de R$ 165,00.

Os pedidos chegam, principalmente, pelo Instagram e pelo WhatsApp. Parte das encomendas também vem das feiras das quais participa e do perfil da empresa na Busca do Google, que ajuda novos clientes a encontrarem o ateliê.

Ela percebe que a presença na internet e nas feiras organizadas pela Prefeitura de Medianeira ampliou a divulgação dos produtos e o volume de vendas. “Com as feiras, o uso diário do Instagram e a página no Google, minha carteira de clientes aumentou em mais de 500%. Também cresceu o número de seguidores nas redes sociais e de encomendas. Temos planejadas duas feiras Rurbanas por mês, mas tudo depende das condições climáticas, por ser feira de rua. Também já participei de uma feira em Foz do Iguaçu”, relata.

 

Quando avalia o que ganhou ao empreender, Marcia afirma que vive a “realização de sonho”. Perdas, segundo ela, foram poucas. “Consegui fazer com que meus dias e horários sejam bem administrados para que eu possa ter tempo para o ateliê e para minha vida pessoal”.

 

Para participar das feiras, Marcia explica que a Prefeitura de Medianeira passou a exigir que os expositores sejam formalizados como microempreendedores individuais (MEI). Na avaliação da artesã, a medida ajuda a profissionalizar a participação nas feiras, organiza a relação com o poder público e dá mais segurança para quem transforma o artesanato em fonte de renda.


Toalha bordada por Marcia Arioli em Medianeira mostra o tipo de peça personalizada que sustenta parte da produção do ateliê | Crédito da foto: Rayssa Farinon
Toalha bordada por Marcia Arioli em Medianeira mostra o tipo de peça personalizada que sustenta parte da produção do ateliê | Crédito da foto: Rayssa Farinon

DA MATERNIDADE À RENDA PRÓPRIA

 

Em 2017, Pollyana Fiorin criou a Cheia de Graça Amigurumi e Crochê. Para a empreendedora, a empresa nasceu junto com a maternidade e cresceu com o tempo. Ela relembra o início no universo artesanal. “Sempre tive contato com o artesanato, desde os meus dez ou doze anos. Gostava de fazer cursos como vagonite, ponto cruz, crochê e pintura em tecido. Mas, em 2017, logo após o nascimento do meu primeiro filho, conheci os amigurumis e me apaixonei. Comecei a fazer ursinhos para ele e nunca mais parei. As encomendas começaram a aparecer, e meu trabalho passou a ser conhecido por amigos e pelas redes sociais”, comenta.

 

Na rotina atual, a profissional trabalha com o nicho materno-infantil e produz sob encomenda. O processo passa por ela do primeiro contato com o cliente até a entrega da peça.

 

Pollyana relata que, de certa forma, foram as primeiras encomendas que definiram o nicho em que ela se especializaria. Como nascimentos acontecem durante todo o ano, os pedidos não ficam concentrados em uma única época.

 

Para a artesã, a peça mais especial que produziu foi seu primeiro amigurumi. “Ele é cheio de defeitos”, diz Pollyana. Mesmo assim, ela guarda a peça para se lembrar do início e afirma que segue estudando novas técnicas para entregar produtos com acabamento cada vez melhor.


Kit materno-infantil produzido por Pollyana Fiorin reúne crochê, personalização e peças usadas em quartos de bebê | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Kit materno-infantil produzido por Pollyana Fiorin reúne crochê, personalização e peças usadas em quartos de bebê | Crédito da foto: Arquivo pessoal

A mãe empreendedora resume o sentimento de ser artesã: “Eu amo ser artesã. É incrível conseguir transformar agulha, linha e enchimentos em lindas peças, que vão carregar memórias afetivas muito especiais para quem as recebe. Gostaria que as pessoas sentissem todo o carinho, amor, dedicação e cuidado que tive durante o processo. O produto artesanal é único e feito especialmente para a pessoa que irá receber”, detalha Pollyana.

 

Pollyana trabalha com amigurumis: enfeites de porta de maternidade, kits de higiene, lembrancinhas de nascimento, peças para chá de bebê e batizado, além da linha religiosa, com santinhas e santinhos, terços e mandalas.

Para calcular o valor das peças, Pollyana soma a hora trabalhada, os custos com materiais e embalagens e a margem de lucro. Hoje, ela calcula a hora de trabalho em R$ 20,00 e trabalha com margem entre 30% e 50% por peça. Os produtos variam de R$ 10,00, no caso de lembranças menores, a R$ 450,00, no caso de enfeites de porta de maternidade ou amigurumis religiosos.

Para Pollyana, estar à frente da Cheia de Graça Amigurumi e Crochê permite acompanhar de perto a rotina dos filhos sem abrir mão da própria renda. O desafio está justamente nessa sobreposição de tempos: entre uma encomenda e outra, também entram os cuidados da casa, o atendimento aos clientes e a produção das peças.


Terço produzido por Pollyana em amigurumi mostra como o crochê também aparece em peças religiosas personalizadas | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Terço produzido por Pollyana em amigurumi mostra como o crochê também aparece em peças religiosas personalizadas | Crédito da foto: Arquivo pessoal

PONTO A PONTO, TRABALHO E CUIDADO


Outra profissional que concilia maternidade, rotina de trabalho e artesanato é Daniela Angotti Martins, que produz bordados totalmente manuais em Matelândia (PR). “Sempre gostei de trabalhos delicados e encontrei no bordado uma forma de transformar sentimentos em algo único e especial”, enaltece.

Para Daniela, os bordados guardam memórias e ajudam os clientes a transformar momentos da vida em peças feitas para durar. A escolha pelo nicho veio do encanto pela delicadeza do trabalho manual e pela possibilidade de criar produtos personalizados.


O tempo de produção varia conforme o pedido. Daniela costuma definir prazo de entrega de 30 dias, cria uma arte prévia para enviar ao cliente e ajusta a peça conforme o desejo de quem encomenda. Os produtos variam de R$ 180,00 a R$ 220,00.

A empreendedora divide o tempo entre a família e o trabalho. Empreender sendo mãe, segundo ela, é um desafio, mas também tornou a profissão mais ligada à rotina da casa. Com a maternidade, aprendeu a ter mais organização, paciência e a valorizar melhor o próprio tempo. Enquanto a filha brinca, ela produz. “Quando comecei a trabalhar com bordados, muita coisa mudou. Passei a enxergar mais valor nos pequenos detalhes e também ganhei mais confiança no meu trabalho”, explica Daniela, destacando que “o artesanato representa amor, cuidado e uma forma de transformar sentimentos em algo eterno”.


Enfeite de porta produzido por Daniela Angotti Martins, em Matelândia, mostra a delicadeza dos bordados feitos manualmente | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Enfeite de porta produzido por Daniela Angotti Martins, em Matelândia, mostra a delicadeza dos bordados feitos manualmente | Crédito da foto: Arquivo pessoal

O trabalho de Daniela é totalmente manual e exige cuidado em cada detalhe. A artesã diz que seus maiores desafios no início da profissão foram organizar o tempo, conquistar clientes e valorizar o trabalho artesanal. “Já pensei em desistir em alguns momentos difíceis, principalmente pelo desafio de conciliar tudo, mas o amor pelo que faço sempre falou mais alto”, pontua Daniela. Na rotina, a produção avança aos poucos, entre os cuidados da casa, a maternidade e os pedidos das clientes.


Ela encontra na internet, sobretudo, no Instagram, uma forma de alcançar clientes e divulgar os produtos. “A internet, principalmente o Instagram, ajudou muito o meu negócio. É por meio dele que divulgo meu trabalho e consigo alcançar novas pessoas”.

Outra forma de divulgação é a indicação dos próprios clientes. Segundo Daniela, porém, até agora todas as encomendas chegaram pelo Instagram.


A moradora de Matelândia quer ampliar o ateliê e fazer seus bordados chegarem a mais famílias. “Gostaria que as pessoas sentissem carinho, acolhimento e afeto ao olhar minhas peças”, afirma. É essa intenção que orienta cada escolha de Daniela, do desenho enviado ao cliente aos últimos pontos feitos à mão.


Bordado manual produzido por Daniela reúne nome, data e símbolos religiosos em uma peça personalizada para celebrações familiares | Crédito da foto: Arquivo pessoal
Bordado manual produzido por Daniela reúne nome, data e símbolos religiosos em uma peça personalizada para celebrações familiares | Crédito da foto: Arquivo pessoal

Daniela trabalha com peças bordadas à mão, como porta-maternidade, decoração infantil e produtos personalizados. Para ela, cada peça tem valor próprio, mas as produções infantis e de porta-maternidade têm peso particular.

 

PRODUÇÃO ARTESANAL EM MEDIANEIRA

 

Em 2024, a Prefeitura de Medianeira criou a Feira Rurbana com o objetivo de desenvolver a produção artesanal da cidade. A iniciativa fortalece a venda de produtos locais, reunindo alimentos e peças de artesanato.

 

Organizada pela administração pública do município, a Feira Rurbana ocorre aos domingos, na praça central de Medianeira, e reúne cerca de 45 expositores por edição. A procura, no entanto, é maior do que a estrutura atual comporta: mais de 120 artesãos aptos a participar ainda aguardam em fila de espera.

 

De acordo com Márcia Hanzen, secretária de Desenvolvimento Econômico, a criação da feira, em Medianeira, incentivou empreendedoras a investir em equipamentos, novas técnicas e treinamentos para vender produtos com melhor acabamento e ampliar a renda. Outro efeito apontado por ela é a socialização entre as artesãs, o surgimento de amizades e o aumento da autoestima.

 

Para Márcia Hanzen, a Feira Rurbana teve papel direto na profissionalização de artesãos e artesãs de Medianeira. O espaço de venda trouxe reconhecimento ao trabalho manual e passou a exigir mais cuidado com técnica, materiais, acabamento e identidade local. “Quando existe um balcão para vender a própria produção, os artesãos buscam novas técnicas, novos modelos e materiais para criar peças que o consumidor queira levar para casa. Esse projeto também fortaleceu o pertencimento dos artesãos ao município de Medianeira”, afirma a secretária.

 

Márcia Hanzen observa que a denominação Rurbana une rural e urbano. “A proposta da feira é aproximar esses dois modos de vida no mesmo espaço, reunindo produção local, convivência comunitária e venda direta ao consumidor”.

 

Para participar da feira, os expositores precisam ser formalizados como microempreendedores individuais (MEI) ou vinculados à Associação dos Artesãos, pagar a taxa anual de feirante, residir em Medianeira e produzir artesanato não industrializado.

 

Desenvolver o artesanato local exige continuidade, escuta e negociação com os próprios produtores. Nem todos conseguem assumir o compromisso de participar das feiras, e muitos preferem vender em outros pontos da cidade. Ainda assim, a Feira Rurbana passou a organizar uma vitrine para o trabalho manual, com incentivo à melhoria das peças, ao uso de novas técnicas e à valorização da identidade local. “É compensador quando a população passa a gostar e consumir o artesanato. A Feira Rurbana, hoje, já é patrimônio cultural material e imaterial do município”, afirma Márcia Hanzen.

 

ARTESANATO COMO ECONOMIA LOCAL


De acordo com a reportagem “A arte feita à mão: mulheres impulsionam artesanato brasileiro e preservam saberes ancestrais”, da Agência Sebrae de Notícias (ASN), publicada em 11 de fevereiro de 2026 com dados do Sistema de Informação Cadastral do Artesanato Brasileiro (Sicab), mais de 77% dos mais de 358 mil profissionais do artesanato cadastrados no país são mulheres. O dado dimensiona a presença feminina no setor e ajuda a compreender como o trabalho manual se converte em renda, circulação de produtos e fortalecimento da economia criativa.


A profissão de artesão é reconhecida oficialmente pela Lei nº 13.180, de 22 de outubro de 2015. A norma permite a emissão da Carteira Nacional do Artesão, válida em todo o território nacional. Segundo o Sicab, o documento pode facilitar o acesso a feiras, microcrédito e capacitações técnicas. Também pode permitir isenção de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) na comercialização dos produtos, conforme a legislação de cada estado. A carteira tem validade de seis anos e pode ser emitida pela internet por meio do próprio Sicab.


As histórias de Marcia, Pollyana e Daniela indicam que o mercado de trabalho ainda impõe barreiras às mulheres quando elas se tornam mães. Segundo levantamento do Sebrae divulgado em 10 de maio de 2024, 67% das empreendedoras brasileiras têm filhos, e a dedicação às crianças influenciou a decisão de abrir o próprio negócio para muitas delas. Autonomia, flexibilidade de horários e possibilidade de cuidar dos filhos aparecem como fatores ligados a essa escolha.

 

Conforme Keysse Vitória da Silva Machado, atendente da Sala do Empreendedor de Medianeira, o espaço oferece suporte para formalização de negócios, esclarecimento de dúvidas, emissão de documentos, regularização de empresas e busca por capacitações. “Além disso, orientamos sobre gestão, empreendedorismo e acesso a informações que ajudam no crescimento dos pequenos negócios, incentivando a independência financeira e o fortalecimento do empreendedorismo feminino. Também há oferta de cursos e qualificações específicas voltadas às mulheres empreendedoras”.

 

Os dados repassados pela Sala do Empreendedor indicam que Medianeira tem cerca de 4.600 MEIs formalizados. Desse total, aproximadamente 2.000 são mulheres, número que ajuda a mostrar a participação feminina nos pequenos negócios do município.

 

Keysse explica que os projetos de apoio às empreendedoras incluem atendimentos de orientação empresarial, capacitações, palestras, oficinas e consultorias em parceria com instituições como o Sebrae, além de ações voltadas à regularização e ao fortalecimento dos pequenos negócios.

 

Também são promovidos eventos e iniciativas que incentivam o desenvolvimento econômico local, além da oferta de linhas de crédito por meio da Fomento Paraná. Entre elas está o Banco da Mulher Paranaense, programa com crédito voltado ao empreendedorismo feminino.

 

Dentro da Sala do Empreendedor, são realizados processos que vão da abertura do MEI ao encerramento, quando necessário, passando por emissão de documentos, regularização de débitos e atualizações cadastrais. O objetivo do serviço é facilitar a rotina dos empreendedores.

 

Keysse defende que a Sala do Empreendedor seja mais divulgada em Medianeira para ampliar o acesso da população aos serviços gratuitos. “Quanto maior a divulgação, mais pessoas conseguem conhecer os serviços oferecidos pela Sala do Empreendedor. Muitas vezes, o cidadão não sabe que possui esse suporte disponível no município, tanto para abrir quanto para manter sua empresa regularizada”.

 

A formalização, porém, ainda é um desafio para muitas artesãs da região. Maísa Silvestre, gestora do projeto de Turismo do Sebrae na regional Oeste do Paraná, acompanha esse movimento em municípios ligados ao Conselho dos Lindeiros, formado por cidades localizadas ao redor do Lago de Itaipu. No contato com as produtoras, observa que muitas ainda não possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) próprio e recorrem ao registro de associações ou cooperativas para conseguir emitir notas fiscais.

 

Maísa observa que o tempo ainda é uma das principais barreiras para que muitas artesãs consigam transformar a produção em fonte de renda mais constante. Entre cuidados com a casa, filhos e outras atividades, o artesanato acaba ocupando as brechas da rotina. Por isso, o trabalho do Sebrae tem buscado fortalecer a qualidade das peças e a formação de preço. “A gente está tentando melhorar a qualidade dos produtos para que elas consigam aumentar o valor das peças. Dessa forma, elas conseguem produzir menos peças e ter uma margem de lucro maior”.

 

A estratégia também passa por abrir novos espaços de venda. Uma das possibilidades é inserir esses produtos em hotéis e pontos turísticos de Foz do Iguaçu (PR), aproximando o artesanato local de visitantes que buscam lembranças com identidade regional. Para as empreendedoras, esse caminho pode representar mais renda, visibilidade e autonomia.

De acordo com Maísa, os erros mais comuns entre artesãs são a falta de gestão financeira e de tempo, a dificuldade de precificar corretamente e a ausência de padrão de qualidade em alguns produtos.

 

OFÍCIO, RENDA E MEMÓRIA

 

Preservar criações artesanais também é preservar identidades, memórias e histórias de comunidades. Embora o artesanato tenha origem em processos manuais, as inovações tecnológicas não anulam seu caráter artesanal quando mantêm a intervenção criativa de quem produz. No caso de Marcia, Pollyana e Daniela, máquinas, redes sociais, feiras e plataformas digitais entram na rotina sem apagar o valor do trabalho feito pelas mãos.

 

Em meio a pedidos, família e maternidade, Marcia, Pollyana e Daniela constroem diariamente seus pequenos negócios. O artesanato, para elas, vai além da renda: também permite organizar o tempo, permanecer perto dos filhos e transformar conhecimento manual em trabalho remunerado.

 

O que antes aparecia como prática doméstica ou atividade de lazer tornou-se, para muitas mulheres, possibilidade de liberdade financeira, autoestima e equilíbrio entre família e trabalho. A permanência desses negócios, porém, depende de gestão, preço justo, divulgação, acesso a políticas públicas e espaços de venda.

 

Marcia, Pollyana e Daniela encontraram no talento manual uma oportunidade de renda. Com linhas, tecidos, matrizes, feiras e pedidos feitos pelo Instagram, elas mostram que o artesanato também pode fazer história ao sustentar mulheres, movimentar a economia local e transformar cuidado em pequeno negócio.







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Produzido pelos acadêmicos do 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, na disciplina de Webjornalismo, sob orientação do professor Alcemar Araújo.

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