Ad Aeternum
- Lucas Lobo

- há 2 dias
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Terceiro ano do projeto Abre Aspas chega ao fim; permanecem as histórias que nunca se encerram

Por Lucas Lobo | Agência Abre Aspas
“Para todo o sempre”; formulação que persiste em inerente incompreensão. Em que se dá o fim? Quem, o quê ou quando se finda? Enquanto a matéria pertence ao que não atribuímos - os livros que amarelam, as folhas que padecem junto ao tempo, o corpo que cai -, o que constitui vontade é essencialmente o humanístico da alma, alimentada na espuma mais gelada, na luz da bituca, no branco dos olhos. Sagrada interação.
Quando aquele específico lenhador, em Macario, de Roberto Gavaldón, nega um pedaço de seu almoço ao Diabo, não é por benevolência; tanto quanto, quando rejeita a partilha à Deus, não é profano. Ao sentar-se com a morte, a personagem enriquece o que jamais chega ao fim.
Chamemos de conhecimento? Talvez, toda expressão assimilada, em processo exímio de comunicação, possa assim definir-se. Deste modo, não vejo nenhuma barreira em determinar terminantemente o Abre Aspas como um expansivo, interminável e permanente laboratório de conhecimento.
A necessidade de contato, de sensibilidade, é o que move, quer queira ou não, a existência deste projeto. É a necessidade pela expansão, pela ampliação do que permanece escondido como escombro, como ruído, como silêncio em toda esfera social. É necessidade pelo inesgotável, pelo que se renova, pelo cotidiano, pelas pessoas, pelas histórias. É a necessidade pelo sempre - ou seja, pela formulação incompreendida -, pelo que não terminará no parágrafo final, pois nunca teve sua gênese no inicial.
Pois, o que digo: a necessidade pelo conhecimento motivou intrinsecamente o terceiro ano de produção de um projeto realizado pelo terceiro ano do curso de jornalismo do Centro FAG. Três, o número da perfeição divina. O começo, o meio e o fim.
Falando pelos envolvidos, não quero ser mal compreendido, a obrigatoriedade intransigente, que persistiu por um semestre a invadir feriados, finais de semana e momento de lazer, ainda que especificamente estressante, carregava, queira ou não (reitero), o que o Abre Aspas tem por excelência. A motivação pela novidade; não aquela que serve ao espetáculo, mas aquela que de fato se apresenta como nova, como inexplorada.
O empreendedorismo ganha contorno humano quando Juan Pagno lembra das cinzas que assolam sua história; o esporte, essencialmente coletivo, torna-se coletivizado quando Alexandre Amorim, Ana Bonini, Giovanna Kava, Heloyse Anjos, Karoline Martins e Letícia Patrícia vislumbram o que não está no campo; Cascavel ganha cor quando Eduardo Tomé, Jessica Viviane, Lucas Mendes, Lucas Lobo e Mateus Dias exploram o que forma a cidade para além da publicidade; a enfermidade silenciosa gera barulho quando Eduarda Goes, Kamilly Felipe, Luiza Bosi e Raissa Rodrigues gritam ao mundo para que as vejam; a arte é lembrada para além da regra quando André Felipe, Jamile Milzarek, Júlia Novello, Lucas Carvalho, Victor Gabriel e Rayssa Farinon lembram da exceção.
Ou seja, para todo o sempre, histórias do cotidiano estão registradas pela perspectiva do que fica. Pelo que se renova, pelo que está à mostra todos os dias mesmo que não seja visto. O que se alimenta na sagrada interação e não morre junto à carne. Novamente, nada além do que vejo clara e carinhosamente como a essência do Abre Aspas, um amor pelo que atravessa o tempo e a matéria.


Ontem, quando pedi ao Lucas Lobo que escrevesse o último texto do projeto, tarefa que, geralmente, fica comigo, eu já imaginava que viria uma pedrada. Ainda assim, não estava preparado para o que senti ao ler o texto hoje pela manhã. Desde então, fiquei chorão, emocionado com cada palavra e com a forma como o texto conseguiu traduzir tudo o que vivemos ao longo do projeto.
Hoje, se encerra mais um ano do Projeto Abre Aspas. Um projeto que eu amo profundamente, que transforma pessoas, aproxima histórias e nos coloca diante de vidas marcadas por dores, desafios, sonhos e recomeços. Ao longo deste percurso, vocês estiveram diante de personagens com histórias duras, pesadas e intensas. Com sensibilidade, respeito e compromisso…