“Abre Aspas”: jornalismo que ouve, apura e sustenta a palavra
- Prof. Dr. Alcemar Araújo

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Prof. Dr. Alcemar Araújo | Agência Abre Aspas
Novas vozes entram em circulação, novas pautas ganham forma e novos olhares aprendem, desde cedo, que jornalismo se faz com trabalho, compromisso e escuta.

Alunos à frente do projeto Abre Aspas 2026 | Crédito da foto: Bruna Dariva
Abrir aspas continua sendo uma escolha. Escolha de ouvir com seriedade, apurar com cuidado e escrever com responsabilidade. Em um tempo de excesso, velocidade e disputa permanente pela atenção, o jornalismo ainda tem uma tarefa que não pode ser transferida: sustentar a palavra com ética e compromisso social.
É nesse percurso que o Abre Aspas: Citando a Pauta chega a 2026. Desenvolvido no 5º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, o projeto se materializa no trabalho de estudantes que assumem a palavra como disciplina de formação. Sob a orientação do professor Alcemar Araújo, esta edição se constrói com Alexandre, Aline, Ana, André, Eduarda, Eduardo, Giovanna, Heloyse, Jamile, Jéssica, Juan, Júlia, Kamilly, Karoline, Letícia, Lucas Mendes, Lucas Carvalho, Lucas Lobo, Luiza, Mateus, Raissa, Rayssa e Victor.
Esses nomes identificam uma turma, mas também remetem a uma posição diante do jornalismo e de sua função social. São nomes que abrem passagem para vozes, muitas vezes, empurradas para a margem, interrompidas pelo ruído ou submetidas ao silenciamento. Cada um deles traz consigo a memória de muitos outros: sujeitos, histórias e experiências que pedem escuta, espaço de circulação e trato ético da palavra.
Em 2026, o Abre Aspas se mantém como posição no mundo: abrir aspas é recusar o apagamento, sustentar a escuta e trabalhar para que a pauta se torne lugar de inscrição para vozes que, durante muito tempo, foram mantidas fora de cena.
Mais do que uma agência experimental, o Abre Aspas é espaço de prática e responsabilidade. Aqui, estudantes de Jornalismo vivem o ofício no contato com a pauta, com a dúvida, com a apuração e com a escrita. Aprendem que informar exige método, que narrar exige cuidado e que publicar exige responsabilidade com quem lê, com quem fala e com quem, tantas vezes, sequer teve a oportunidade de ser ouvido.
Ao longo de sua trajetória, o projeto foi se firmando como lugar de exercício da profissão. Um lugar em que a sala de aula encontra a rua, em que a teoria encontra a prática e em que a aprendizagem passa pela experiência de olhar para o mundo com atenção. Em 2026, esse compromisso permanece. Talvez de forma ainda mais urgente.
Vivemos um período em que a desinformação circula com força, a inteligência artificial amplia impasses e a pressa, em muitos momentos, atropela a escuta. Nesse cenário, fazer jornalismo exige mais do que domínio técnico. Exige discernimento, senso ético, capacidade de leitura da realidade e disposição para tratar a informação como bem público, e não como mercadoria.
O Abre Aspas nasce dessa compreensão. O seu papel não é ocupar espaço por ocupar. É construir presença com consistência. É abrir caminho para reportagens, entrevistas, artigos de opinião, crônicas, críticas e comentários com densidade, autoria e compromisso com a vida social. É fazer da produção jornalística uma prática de formação intelectual e humana.
Cada texto publicado carrega um processo de aprendizagem, mas também uma posição diante do mundo. Formar jornalistas é formar sujeitos capazes de perguntar, escutar, duvidar, interpretar e escrever com responsabilidade. É reconhecer que o jornalismo continua sendo uma das formas de enfrentar o silêncio imposto, a banalização da mentira e o esvaziamento do debate público.
Em 2026, o Abre Aspas segue nesse horizonte. Continua acreditando na força da palavra bem apurada. Continua tomando a escuta como ponto de partida. Continua entendendo que o jornalismo pede coragem, rigor, sensibilidade, método e criatividade.
Abrimos aspas, mais uma vez, para que novas vozes circulem, para que novas pautas ganhem corpo e para que novos olhares aprendam, desde já, que jornalismo se faz com trabalho, compromisso e escuta.
Que 2026 seja mais um ano de textos que inquietam, informam e colocam sentidos em circulação.



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