A paixão mais maluca e mais linda do mundo
- Mateus Dias

- há 2 dias
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Em Cascavel, a La Furia Aurinegra transforma o amor pelo FC Cascavel em festa nas arquibancadas

Por Mateus Dias | Agência Abre Aspas
Futebol é um dos elementos mais populares do mundo e uma das paixões mais fortes da sociedade. Ele reúne pessoas diferentes para torcerem pelo mesmo time, pela mesma vitória. É um sentimento intenso, capaz de levar muita gente, todos os dias, aos estádios para torcer, vibrar, rir e até chorar. Às vezes, enfrentando adversidades financeiras, logísticas e climáticas. No fim, vale a pena estar com outros que, assim como você, amam aquilo.
Para reunir os apaixonados pelo FC Cascavel, nasceu, em 2014, a La Furia Aurinegra. A organizada se apresenta como a primeira barra brava do Paraná a adotar esse estilo de torcer, cantar e viver tão característico da América do Sul.
Desde então, a La Furia atravessou diversas fases do clube: finais inesquecíveis, campanhas frustrantes, algumas das vitórias mais importantes da história da instituição e derrotas das mais dolorosas. Mas, como acontece com quem ama de verdade, nunca foi apenas sobre vencer; foi sobre permanecer.
Assim como a vida, com altos e baixos, mas sempre ao lado de pessoas queridas, nos quase doze anos de La Furia, clube e torcida se completaram. O clube não existe sem a torcida. A torcida não existe sem o clube. E esses fãs nunca estiveram sozinhos.
DIA DE JOGO
E o que poderia ser melhor para esses aficionados do que uma tradicional tarde de domingo com futebol? Jogo no estádio, às 16h, contra um adversário paranaense conhecido. Era dia de cantar canções de apoio ao clube, ocupar a arquibancada e combinar tudo isso com o brilho daquele sol maravilhoso... mas espera, estava chovendo?
É, certamente não eram águas de março fechando o verão, nem uma chuva de prata caindo sem parar. Confesso: não sabia se veria pessoas por lá. Mesmo com opções de arquibancadas cobertas, eu me perguntava se a La Furia estaria em seu lugar habitual, aquele pedaço de concreto e esperança onde já viu de tudo, viveu de tudo e sentiu de tudo. Era um dia de chuva que Jorge Ben Jor cantaria como ameaça a um amor “puro, belo e inocente como a flor”. Mas podia continuar chovendo. Nada parecia capaz de abalar a paixão de um torcedor pelo seu clube de futebol.
Antes de ir para o estádio, lembrei de uma conversa com Roberto Weich, presidente da organizada. Ele me disse que “é difícil fazer futebol e torcida no interior, com recursos escassos”. Realmente, numa cidade distante das capitais e com um clube sem tanto prestígio nacional, era difícil imaginar muita gente por lá. Então recebi uma mensagem dele: “pode chegar, certamente teremos gente e faremos a festa”.
E foi como eu disse: clube e torcedores jamais caminham sozinhos nas partidas do FC Cascavel. Eram cerca de 15 membros da organizada presentes. A faixa e os instrumentos estavam a postos. O jogo começou.

Em campo, o jogo certamente não foi um dos grandes da história do futebol. Não teve a qualidade dos duelos de elite, nem os melhores gramados, nem os grandes nomes do futebol europeu. O Cascavel tentava, reconheço, mas o gol parecia se recusar a sair.
Já nas arquibancadas, vi uma demonstração bonita de amor por parte dos presentes. Como diria Nelson Rodrigues: “Para nós, brasileiros, o futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas puramente emocionais”.
E essa emoção se tornou brevemente negativa aos 23 minutos do segundo tempo, quando o Cianorte marcou o primeiro gol da partida. Isso não abalou a La Furia, que seguiu cantando e apoiando a equipe nos pouco mais de 20 minutos restantes.
Ah, aqueles minutos. Conforme passam, são quase como uma facada em quem torce. Para o time que está ganhando, cada segundo parece durar uma eternidade; para quem está perdendo, cada minuto parece um milésimo.
A torcida cantava, o tambor batia, a chuva aumentava, o time chegava, tentava, mas não finalizava. Final de jogo: Cascavel 0 x 1 Cianorte.
Logo após o juiz apitar o encerramento da partida, ocorreu a cena que mais me alegrou e impressionou naquele domingo chuvoso. Ao mesmo tempo em que veio a confirmação da derrota, a chuva se intensificou.
A La Furia, porém, aumentou o volume do canto e pulou como se o jogo ainda não tivesse acabado. Ali ficou claro que o apoio segue, independentemente do resultado.
No fim do dia, não foram horas “gastas” em uma derrota dentro de campo, nem apenas uma chuva intensa que poucos aceitariam enfrentar. Foi uma tarde sobre essa paixão linda, maravilhosa e um tanto maluca que o aficionado tem pelo seu time. No caso do FC Cascavel, foi sobre aquilo que os torcedores da La Furia Aurinegra têm de sobra: permanência.

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